19 de out. de 2009

De volta ao Villa Country

Depois de muito tempo eu voltei ao Villa Country. Confesso que foi estranho!

Entre 2003 e 2005, se minha memória ainda funciona, eu frequentei aquele lugar como se frequenta uma religião: estava lá todas as semanas. Para o bem ou para o mal, o Villa não é mais o mesmo...

  • O Flavio não toca mais na Villa Country Band. Aliás, fiquei me perguntando: por onde anda o Flavio Sanches?
  • A dupla que fica na Praça Sertaneja, obviamente, não é mais Victor & Léo.
  • Não fui com algum integrante da Chuta-Cruza e nem estava traiada. Por este motivo, não pude tirar o ferrugem e dançar aqueles 480 passinhos que aprendi na época.
  • A Praça Sertaneja estava muito mais cheia que o Saloon. Os frequentadores de hoje ouvem mais sertanejo e dançam menos country. Nem o mezanino estava aberto!
  • Em relação ao lay-out, pouca coisa mudou: chapelaria e café nos mesmos lugares, mas a loja agora é gigantesca e fica perto da Praça. Há dois espaços externos para fumantes.
  • O pessoal de hoje bebe mais e é mais ‘abelha’. Aos domingos geralmente a maioria estava traiada, o que não pude observar neste retorno.
  • As músicas sertanejas sempre foram tristes, sobre separação, sobre amor não correspondido. Mas agora o que era música de corno virou música de corno vingativo. Você ouve “pode chorar que eu não volto prá você”, “você finge que me odeia mas no fundo paga pau”, “chora, me liga, implora meu beijo de novo, me pede socorro... quem sabe um dia eu volto a te procurar”. Oh, meu Deus, onde está o “nosso amor é azul” ou “eu dormi na praça pensando nela”?

Apesar das diferenças, gostei de voltar ao Villa. Claro, não foi só o lugar que mudou. Eu também mudei e hoje não conseguiria ser uma cowgirl como fui no passado.

É sempre bom relembrar os bons momentos e garanto que lá tive muitos, especialmente com meus amigos da Chuta-Cruza.

 

1 de set. de 2009

O show do Rei

Roberto Carlos - 50 anos de música - Ginásio do Ibirapuera - São Paulo
Era um presente de aniversário para a minha mãe, mas eu acho que gostei mais que ela.

Nos primeiros acordes de Emoções, a primeira música do show, eu já comecei a chorar. Ele nem havia entrado no palco ainda. Fiquei arrepiada, a energia é indescritível.
O show foi acontecendo e eu percebendo que sabia mais de Roberto Carlos do que costumava supor. Exceto uma música que ele compôs para Miriam Rios, eu sabia cantar todas as outras.
Detalhes 'Acústico' foi um momento muito bom. A música, por si só, já causa um grande efeito. Mas ver o Rei, no centro do palco com seu terno branco e um violão, cantando que "detalhes tão pequenos de nós dois são coisas muito grandes pra esquecer", foi uma maravilha.
Pra mim, o clímax foi com Cavalgada. A música ganhou um arranjo fantástico e foi crescendo, crescendo, crescendo... e quando ouvi que "estrelas mudam de lugar" o choro foi realmente incontrolável. Não estava de TPM, nem carente, nem sou fã desesperada de RC. A reação foi totalmente involuntária. Não há explicação.
Gostei de saber que esta música foi gravada no ano em que nasci: 1977.
O show terminou com Jesus Cristo e distribuição das famosas rosas.
Não tenho mais palavras para descrever quantas emoções eu vivi durante o show. Pode ser brega, pode ser meloso, pode ser música de corno, pode ser para Lady Laura, para Maria Rita, para Miriam Rios, para as gordinhas, para as mulheres de 40 ou para Nossa Senhora, não importa.
Jamais um outro artista brasileiro vai chegar aos pés do Rei.

17 de ago. de 2009

Correr para... ?

Três anos e duas protusões de disco depois, volto aos treinos de corrida. Duas noites por semana dedicadas a arte de correr. Arte de correr?
Colocar um tênis e uma roupa confortável e sair correndo. Claro que o esporte não é simplesmente isso, mas praticá-lo não requer muita habilidade. Basta ser apto (ou seja, nenhum problema de saúde que o impeça), ser dedicado (talvez 'disciplinado' seja a palavra certa), ter alguns reais para investir nos acessórios (tênis, roupas em dry fit, monitor cardíaco - mas isso é ainda beeeeeeem mais barato que os acessórios de tênis, certo?) e ter ou arrumar tempo.
O objetivo é variável: tem gente que corre prá comer, corre prá beber, corre para correr melhor, para superar marcas, para emagrecer, para encontrar os amigos, para dizer que pratica atividade física, para se condicionar para outro esporte. Tem gente que corre prá ganhar dinheiro, tem gente que corre longe, tem gente que quer correr 1000 Km por ano, alguns querem fazer pelo menos uma Maratona na vida, outros desejam correr a São Silvestre. E pessoas que utilizam o tempo do treino para ouvir uma música ou pensar na vida.
Não importa qual é o verdadeiro motivo para correr. O que eu gosto mais na corrida é depender única e exclusivamente de mim: se eu falhei, se amarelei, se desisti, se chorei, se me machuquei, se conquistei, se parei, se andei, se paguei, se superei, se exagerei... o ônus e o bônus é só meu, de mais ninguém. Pensando bem, não é isso não. O ônus eu divido com o plano de saúde e o bônus com quem faz questão de me incentivar, sem esquecer do treinador.

9 de ago. de 2009

Dia dos Pais

Este é o décimo dia dos pais que não compro um presente para o meu. No dia 18 de julho de 1999 eu perdi Rubens Pierri Junior aos 55 anos, vítima de infarto, e muitas outras coisas além disso.
Papai era uma figura rara. Sempre bonachão, sempre despreocupado com as coisas materiais, sempre gastando mais do que ganhava, sempre preferindo torrar uma grana com um jantar em família que pagando uma conta. Tinha tantos amigos que o velório dele pareceu um jogo de final de campeonato. As pessoas se revezavam para entrar na sala onde o corpo era velado.
Não condeno, de forma alguma, o comportamento bon vivant do meu pai. Muito pelo contrário, já que era possível ver que ele era bastante feliz. O amor dos meus pais era bem bonito, com carinhos explícitos após 24 anos de casamento. A relação com a gente também era ótima, nunca passamos fome de comida ou de carinho. Ele era amigo, companheiro, palhaço e bastava olhar um pouco diferente para engolirmos a bronca. Meu pai nunca levantou a mão para os filhos... quer dizer, uma vez ele deu um tapa no meu irmão porque ele quase derrubou meu pai da escada. Fora que meu pai era um galã, lindo, elegante, simpático.
Cada ano que passa a lembrança do meu pai fica um pouco mais longe, é verdade. Mas eu sinto a sua presença todos os dias, às vezes dizendo exatamente que eu tenho que parar de me preocupar com algumas coisas, como ele faria.
Meu pai era um cara muito esperto e justo, amigo de todos, divertido e muito, muito bacana. A única injustiça que ele cometeu foi ter nos deixado tão novo.
Feliz Dia dos Pais!

24 de jul. de 2009

Divã

Hoje assisti Divã, um filme com Lilia Cabral. Uma mulher na meia idade descobre, depois de 20 anos de casamento, que não é tão feliz quanto imaginava. Quando inicia a terapia, que ela até então julgava não precisar, ela se questiona sobre a felicidade, sobre o casamento, sobre sexo, sobre amor, sobre amizade.
Enquanto Mercedes conversa com Lopes, o terapeuta (100% do tempo mudo), a vida da personagem sofre reviravoltas. Ela acha que o marido tem amantes, arruma um amante, se separa, tenta convencer a amiga 'quadrada' que o modelo de vida dela é ruim, se comporta como uma adolescente, tenta se aconselhar com uma adolescente e cai na balada com um rapaz muito mais novo. Até maconha ela experimenta.
Na ânsia de encontrar a verdadeira felicidade e de experimentar tudo o que a vida pode dar de bom, ela se perde, se acha, muda, amadurece, regride. É realmente um filme para cutucar algumas feridas e chorar. Sim, dentre as histórias engraçadas há alguns momentos tristes também.
"Sexo com amor é bom, mas sexo sem amor é melhor ainda" - para Mercedes, este é o caminho da felicidade.
Vale a pena assistir!

23 de jul. de 2009

São Thomé das Letras IV (e último)


Nosso último dia em STL começou nublado e frio. Paramos na cidade para comprar as lembrancinhas da família e uma lanterna. Achamos que precisaríamos dela na Gruta do Carimbado.
Já com as malas no carro, conhecemos o Vale das Borboletas e uma inusitada placa "proibido acampar" assinada por, nada mais nada menos, E.T. O acesso é mais fácil, mas a cachoeira não é muito bonita não. Vi apenas uma borboleta.
Próxima parada: Ladeira do Amendoim. Os carros param no final da descida e, em ponto morto, são arrastados pela subida. Nada de fantástico! A impressão é de estar na subida quando, no fundo, o carro está na descida. Quem está do lado de fora percebe isso. É mito!
Em seguida, Gruta do Carimbado. Subimos, subimos, subimos e, como estávamos sozinhas, demoramos um pouco para encontrar a entrada da gruta. Quando achamos, desistimos de explorá-la. É muito sinistra! Diz a lenda que essa gruta vai até Macchu Pichu. Na falta de um guia experiente, resolvemos não arriscar, mesmo com a lanterna.
A parte mais frustrante da viagem aconteceu depois, quando partimos rumo à famosa Shangri-la. Acreditando que seria o passeio mais bacana, para fechar com chave de ouro, seguimos contando apenas com a indicação de um tiozinho do bar da estrada e de alguns soldados camuflados, que faziam algum tipo de simulação na mata. Rodamos, subimos, descemos, encaramos pontes, pedregulhos, judiamos do carro da Paty e... nada! Desistimos e resolvemos voltar. Ou Shangri-la não existe ou o acesso é impossível para simples mortais. Dizem que é um dos lugares mais místicos do Brasil.
Almoçamos em Três Corações e pegamos a estrada. Paramos, obviamente, para comprar mais queijo e mais doce de leite. Quem passa pelo sul de Minas não pode resistir a isso.

A viagem foi bem bacana e descobrimos, em algum lugar de nós, um espírito aventureiro. Já estamos programando nossa próxima viagem: Vale do Petar - Caverna do Diabo.

20 de jul. de 2009

São Thomé das Letras III


Acordamos cedo para conhecer as outras cachoeiras. Paramos na Eubiose após 400 m de descida escorregadia. A cachoeira é bem bonita, mas deve ficar mais na época da cheia. Estava um pouco minguadinha.
Um pouco mais prá frente, Cachoeira do Flavio. Essa foi fácil de chegar. Bonitinha também.
Seguimos pela estrada e encontramos as piores trilhas. Para chegar na Cachoeira Véu da Noiva (foto) precisamos nos apoiar no corrimão. Muita descida e minhas coxas começaram a mostrar os malefícios do sedentarismo. Queimaram, mas valeu a pena. A cachoeira é linda.
Ao lado, Cachoeira Paraíso. Mais descida. Não fui até o final, já não aguentava mais minhas pernas.
Seguimos pela estrada achando que Baependi era próxima. Esse é o problema do mapa sem escala. Muito tempo depois encontramos alguém para perguntar e soubemos que ainda era a metade do caminho! Tudo bem, chegamos até ali, né?
Baependi é uma cidade pequena e cheia de subidas, carros, trânsito. Meio caótica para ser interior de Minas. Ali ao lado, Caxambu e o Parque das Águas. O parque é bem gostoso. Compramos também muitos doces em Caxambu.
Surge o dilema: asfalto ou voltar pela estrada de terra? A primeira opção era mais longe, mas melhor. Resolvemos seguir o conselho e pegamos asfalto até Três Corações. Não vimos o lindo pôr-do-sol, finalizando mais um dia de calor por aqui. Agora vamos descansar um pouco antes de tomar um caldinho na cidade.

São Thomé das Letras II


No sábado jantamos num restaurante chamado Gnomos! A pizza era excelente e o vinho Marcon servido em copo de cerveja! Três mocinhos tocaram Secos e Molhados, Sá e Guarabira, Zé Ramalho e Kleiton e Kledir.
Os grandes passeios!
Ontem saímos do hotel por volta das 10h e fomos em direção às cachoeiras. Demos carona para uma moça que mora na roça e, todos os dias, caminha cerca de 5 km para chegar em casa. Ela tem um brechó em STL e mora na roça, próximo da Cachoeira da Lua. Conhecemos essa cachoeira, mas achamos um pouco sem graça.
Em seguida, conhecemos a Gruta do Sobradinho (foto), o passeio mais interessante até agora. Chegamos até a entrada sem lanterna, muito juvenis. Mas encontramos o Zé João que nos levou para o interior da gruta. São 180 m, que acabam em uma cachoeira. Por dentro da gruta, descalças, muitas galerias, água gelada, teto baixo. E, na saída, uma ponte. Era muito bom prá ser suave! Depois de quase morrer de medo, atravessei a ponte engatinhando. Tá, tem que ter uma filmagem divertida na viagem.
Decobrimos uma cidade chamada Sobradinho, com 2 ruas e uma igreja no meio.
Almoçamos num restaurante bem chamosinho.
Assistimos outro pôr-do-sol inesquecível perto da pirâmide. Antes disso, andamos até uma pedra enorme e acreditávamos que era a da Bruxa. Realmente não vimos nenhuma silhueta de bruxa e achamos que o povo daqui era realmente doidão. Andamos até o mirante, um caminho já bastante complicado. Descemos, passamos pelo discoporto (uma decepção, são tanques pintados como se fossem discos voadores) e, para nossa surpresa, eis que surge a verdadeira Pedra da Bruxa. Desta vez, enxergamos a cara da bruxa mesmo!
Jantar bacana: fondue de queijo e um pouco de vinho.

18 de jul. de 2009

São Thomé das Letras I


Chegamos 13h, já descobrindo que entre Três Corações e São Thomé das Letras há um sanatório e um presídio.
A cidade é bem pequena, as ruas muito estranhas, tudo é pedra, pedra e mais pedra.
Comemos num restaurante chamado O Alquimista da Praça que fica, obviamente, na praça. Um pernil delicioso com arroz, feijão, mandioca e farofa. Um suco de uva integral para acompanhar.
Entramos em várias lojas de artesanato. Em todas elas há casinhas de pedra, de todos os tamanhos e modelos. Bem bonitinhas. Além das casinhas: gnomos, duentes, elfos, bruxas, ETs, Raul Seixas, Bob Marley, Shiva, pretos-velhos, santos católicos, colchas, batas e chás de ervas naturais. Achei esquisito: às vezes você acaba de ver a pessoa na entrada e, dois segundos depois, ela surge de algum lugar!
Visitamos a Igreja Matriz e fiquei impressionada com as imagens de Cristo. Ele tem peruca de verdade! E roupas de verdade! E todas as imagens têm muito sangue. O piso é de madeira e parece que será aberto a qualquer momento.
A Gruta de São Thomé fica bem ao lado da Igreja Matriz. É pequena e bastante sinistra. Logo na entrada há uma caixa com portãozinho de vidro, arrombado, onde estão alguns santos sem cabeça. Uma imagem realmente ruim. Dentro da gruta, outra imagem de São Thomé.
Passamos pela Igreja do Rosário, bem bonitinha por fora. Não conseguimos entrar. Na verdade, nem tentamos. Depois da má impressão da Igreja Matriz, nem imaginamos o que nos esperaria.
Mais artesanato.
Subimos até a pirâmide para assistir o famoso pôr-do-sol. É realmente espetacular (foto). Pena que havia um cidadão que não parava de falar (e cuspir). Disse inúmeras vezes que morava em STL, mas que não lembrava onde exatamente. O homem estava bem chapado. Tirando isso, imagens espetaculares. E a trilha sonora local, claro.
Passamos pelo Bar do Dois onde, teoricamente, encontraríamos Ventania. Mas soubemos que agora ele ficou famoso e não faz mais show em STL. Só pagos agora. É... o sucesso sobe até na cabeça dos malucos-beleza.
Mais tarde tem cinema na praça: Tempos Modernos de Chaplin. Conseguem imaginar um clássico como esse, muito utilizado nas aulas de administração (Taylor!), na cidade "onde mito e realidade se confundem"?

27 de jun. de 2009

Eu não entendo Michael Jackson

Acompanhei nestes últimos dias toda a comoção pela morte do MJ. O mundo está realmente abalado, os fãs estão muito chocados e a mídia está exaustivamente citando tudo isso. Tento entender quais são meus sentimentos em relação a isso.
Gosto de algumas músicas dele, mas nunca comprei um disco. O clipe de Thriller fez parte da minha infância e adolescência, assim como a dança fez meus amiguinhos da escola disputarem prêmios pela melhor imitação. Passei dias e dias tentando chegar ao final do jogo Moonwalker no Megadrive. Eu achava o máximo os chutes dançados com o gritinho uhhhhhhhh.
Como figura, MJ não representou muita coisa prá mim. Que fique claro: PARA MIM. Eu não entendi porque ficou branco, porque casou com a filha do Elvis, porque usava máscara, porque fazia plásticas, porque teve filhos e porque parou de cantar por tanto tempo. Talvez por não ter entendido tudo isso, também não entendo como podem ter pessoas realmente deprimidas com a morte dele. Algumas pessoas muito próximas a mim estão ainda horrorizadas, como se tivessem perdido algo muito valioso. Não vou julgar este comportamento, só vou continuar não entendendo.
Eu nunca ouvi tanta piada sobre alguém como comecei a ouvir na quinta, antes mesmo do anúncio oficial da morte dele. Também nunca vi tantos programas de televisão sobre um mesmo tema. Acho que lembro apenas de mais um acontecimento que mobilizou tanto a mídia: os ataques de 11 de setembro.
Independente da minha opinião sobre o que ele foi em vida, o que fez ou deixou de fazer, uma coisa eu realmente desejo do fundo do meu coração: que esta alma descanse em paz.

12 de jun. de 2009

Fábula do dia dos namorados

Michele estava muito triste. Era o terceiro dia dos namorados sem namorado. Bateu uma mistura de sentimentos: raiva por estar sozinha, desesperançosa porque o tempo está passando, inveja das amigas felizes. O baixo-astral realmente tomava conta de Michele.
Sem muita vontade, precisava ir ao supermercado. Aproveitou a ponte do feriado e foi a pé, ouvindo seu iPod, até o shopping. Andou um pouco pelos corredores, mas acabou por se sentir mal. Por onde olhava encontrava casais sorridentes, escolhendo seus presentes. Ou rapazes lindos, com sacolas gigantes, com cara de apaixonados.
A raiva era cada vez maior e Michele resolveu acabar logo com aquele passeio ridículo. Entrou no supermercado e comprou o que precisava. Já estava se lamentando por ter que passar por dentro do shopping para sair.
No corredor, um homem a parou. Ela olhou bem para aquele moço bonito, com um sorriso encantador, e não conseguiu emitir nada mais que um mal educado 'pois não'. Sem levar o mau humor de Michele em consideração, o rapaz perguntou se ela estava muito ocupada.
- Não, não estou!
- Ah, será que eu poso te pedir um favor?
- Ok.
- Bem, você está com seu namorado por aí? Ou veio ao shopping comprar um presente para o sortudo?
- Nem uma coisa e nem outra. Não tenho namorado. E é melhor você falar logo o que quer antes que eu comece a latir.
- Calma, calma. Queria que você me ajudasse a escolher um presente para a minha namorada.
No fundo, Michele sabia que aquilo iria contribuir para piorar o seu estado de espírito, mas resolveu ser solidária. Afinal, ninguém tem culpa por ela estar sozinha.
- Tudo bem, eu te ajudo. O que quer comprar?
- Ah, estava pensando em um vestido. Ela tem o corpo parecido com o seu. Eu encontrei um muito bonito na loja do final deste corredor. Você pode experimentá-lo?
- Claro - Michele tentou sorrir, mas estava extremamente sem graça.
Caminharam lado a lado, apenas falando sobre amenidades: o dia chuvoso, o record de congestionamento da semana e o frio que tem feito em São Paulo. Entraram na loja e o moço escolheu o vestido. Realmente ele tinha muito bom gosto e Michele já estava até animada. Afinal, poderia ajudar alguém e isso estava dissolvendo a sua raiva.
A vendedora entregou o vestido à Michele, que ficou impressionada quando o vestiu: era perfeito! Ficou deslumbrante. Michele rodopiou no provador, como uma artista de cinema, sorrindo sem motivo, feliz por este pequeno prazer. Abriu a porta do provador e encontrou os olhos do moço, que não saíam da fenda e do decote bonito do vestido.
- Por favor, dê uma voltinha.
Michele sorriu envergonhada e virou. Estava se sentindo linda e desejada. Mas logo se desanimou ao lembrar que aquilo não era para ela.
- Ok, posso tirar agora?
- Claro, pode.
Michele entrou no provador, sentou na cadeira e desabou. Chorava copiosamente enquanto se olhava no espelho e tentava entender o que havia de errado com ela. Não conseguia ter forças para tirar o vestido. A tristeza aumentava, teve vontade de rasgar o vestido e sair correndo dali.
- Moça, tá tudo bem aí?
- Sim, já estou saindo.
Enxugou as lágrimas, tirou o vestido e, quando saiu do provador, já não conseguiu esconder a tristeza. Entregou o vestido ao rapaz e disse:
- Parabéns pela escolha. Sua namorada vai ficar muito feliz. A gente se vê.
- Ei, espere. Gostaria de tomar um café com você, em retribuição ao favor que você me fez. Você aceita?
- Olha, desculpe. Não sou uma boa companhia agora.
- Por favor, eu insisto.
O rapaz pediu para a vendedora embrulhar o vestido, pagou e saiu da loja com Michele abatida, amuada.
- Nem perguntei seu nome. O meu é Diogo e o seu?
- Michele.
- Então vamos, Michele.
Sentaram no quiosque do café e pediram a bebida. Não conversaram muito e Diogo pediu licença, precisava ir ao banheiro. Michele continuou sentada, com o olhar perdido. Tempos depois se deu conta de que 10 minutos se passaram e Diogo não havia voltado.
Levantou, foi até o caixa e perguntou quanto devia pelo café. A vendedora informou que Diogo já havia pago.
-Ah, obrigada.
- Espere, moça.
Michele virou de volta para o caixa e a vendedora entregou a ela uma sacola. Era a mesma do vestido. Parece que Diogo havia esquecido o embrulho lá.
- O rapaz que estava com você na mesa pediu para te entregar. Tem um bilhete prá você aí dentro.
- Tá bom, obrigada outra vez.
- De nada, boa sorte.
Com a sacola na mão, Michele caminhou lentamente até um banco. Olhos ao redor e não viu Diogo em lugar nenhum. Abriu a sacola do vestido, procurando pelo bilhete que a mulher do café havia falado. E encontrou um cartão de visitas de Diogo. No verso do cartão, escrito pelo próprio Diogo:
"Por favor, coloque este vestido hoje à noite e ligue para o número que está na parte da frente do cartão. Eu te pego onde você estiver e vamos passar juntos o dia dos namorados."

8 de jun. de 2009

Lógica na queda de energia

Hoje à tarde tivemos uma pausa forçada no trabalho: a energia caiu e com ela todos aqueles arquivos abertos. Depois de um 'aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah' de um lado, de um 'PQP' de outro, resolvemos tomar um café.
No restaurante encontrei alguns coletas twitteiros que acharam estranho o meu gosto por chimarrão. É talvez seja mesmo inexplicável: não sou do sul, não ando com erva na bolsa e muito menos tenho uma cuia na mesa de trabalho. Mas a verdade é que eu realmente adoro chimarrão.
Durante a conversa aconteceu aquele processo lógico que só nós somos capazes de fazer. Aliás, este deve ser um critério para contratar as pessoas, além de ter idéias de jerico e serem um pouco ansiosas: a lógica apurada!
- Você gosta de chimarrão?
- Adoro
- Mas você não é gaúcha!
- Sim, mas minha mãe é paranaense.
- Ah, então todo paranaense sonha em ser gaúcho
- Não, todo catarinense pensa que é gaúcho!
- Verdade! E todo paranaense gostaria de ser paulista!
- É... isso mesmo! E todo paulista quer morar no Rio... sem os cariocas, claro!
- Nada disso, quem deseja isso é o mineiro! Aliás, mineiro quer mais é destruir o meio ambiente e a camada de ozônio. Assim: derrete as geleiras, que viram mais água, que cobrem o Rio de Janeiro, que chegam até Juiz de Fora e... pronto!
- Hum... excelente! Assim você tem o mar e ainda acaba com os cariocas!
- Pessoal, vamos trabalhar, né?

31 de mai. de 2009

Anjos e Demônios

Fui ao Bristol hoje especialmente para assistir a Anjos e Demônios. A expectativa era boa, pois ouvi comentários de que este foi bem melhor adaptado que O Código da Vinci. É, realmente foi.
É importante fazer aqui um parênteses: o soninho pós-prandial me fez dar umas pescadas no início do filme. Deve ter sido quando descobri que a atriz que faz a Vittoria Vetra era desconhecida e inexpressiva. Já havia achado a Amélie Polain Audrey Tautou fraqunha como Sophie Neveu e agora começo a me questionar se o problema não é o Tom Hanks.
Bem, assim como Alfred Molina nasceu para ser o Bispo Aringarosa e Jean Reno para ser Bezu Fache, o camerlengo Patrick caiu como uma luva para Ewan McGregor. Tá bom, eu sou suspeita prá falar, pois já me apaixonei por ele em Moulin Rouge.
Ainda bem que desta vez nos pouparam um pouco das loucuras do livro e trocaram o guarda-chuva por um providencial pára-quedas na cena em que o camerlengo pula do helicóptero. Roma e o Vaticano como atores coadjuvantes perfeitos, assim como o monte de cardiais fumantes que concorriam ao papado. Lembrei que depois que li Anjos e Demônios foi a morte do Papa João Paulo II e eu já sabia como seria o conclave e a fumacinha branca que comunicaria que o novo papa foi eleito. Como o relato de Dan Brown foi fiel a isto, fiquei pensando se toda aquela história de Maria Madalena e Jesus não poderia ser verdadeira...
Filme bom até para quem não leu o livro. Só ficou um pouco ofuscado pelo trailer de Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Esse sim, aguardo mais que ansiosamente.